Se tiverem comentários, literalmente é só falar.







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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Vontade de ser escritor (III)


“Ler, aprender e pesquisar é fundamental.

E, claro: escrever. Portanto, foram essas as razões que me impulsionaram a atualmente cursar a Oficina de Literatura Infantojuvenil do escritor, ilustrador e contador de histórias Celso Sisto, na PUCRS.

Como escritora e docente, às vezes tenho a sensação de passar o tempo todo, literalmente, distribuindo conhecimento.

Pareço dissipar feito um balão espremido na ponta da saída do gás, deixando um jato de ar bem miúdo esvair-se; aos poucos; devagar. Até restar nada.

Por isso, é um presente estar outra vez em sala de aula tomando notas e ouvir ideias não anteriormente pensadas; aprender detalhes deste ou daquele texto, desta ou daquela forma de escrever; debater com o professor e os pares as sutilezas, armadilhas ou inovações da Literatura; receber dicas de, e ler livros qualificados; saber de meus potenciais; relembrar ou descobrir pontos fracos e trabalhá-los; produzir textos novos a partir de desafios e refazê-los em casa diversas vezes, lê-los em aula, ouvir as críticas, arrumar, nova correção... Vocês verão alguns deles por aqui.

Como é bom estudar!

(Maria Valéria de Lima Schneider)".

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Uma Plateia Diferenciada


Qual será a sensação de um escritor ao ver seu livro (e daí suas ideias, criações e pensamentos) transformado em teatro, filme ou novela?

Consegue imaginar?

E se fosse você, o autor, o que sentiria na hora H: aquela em que a campainha do teatro toca pela terceira vez, as luzes se apagam, as pessoas todas silenciam e entram materializados os personagens.

Pois se ainda não chegou, sentindo, poderá chegar lá, vendo: é que esta semana teremos duas estreias na cidade.

Dias 10(hoje) e 11 de agosto, a escritora Martha Medeiros terá seu livro “Tudo que eu queria te dizer” convertido em teatro.

E iniciando temporada na sexta, dia 13 de agosto, o escritor e jornalista David Coimbra terá seus livros “Jogo de Damas” e “Mulheres” adaptados em “Sobre Saltos de Scarpin”.

Mas, e a história lá do início, de sensação, onde está?

É que os dois escritores se farão presentes.

E convidam a todos.

-

Martha Medeiros:

Tudo que eu queria te dizer, monólogo com Ana Beatriz Nogueira interpretando algumas das cartas do seu livro homônimo.

Na terça e quarta (dias 10 e 11) será em Porto Alegre, no Teatro do Sesc, às 20h. É quando ela assistirá pela primeira vez.

Depois, os atores excursionarão pelo interior do Estado:

Farroupilha (dia 13),

Passo Fundo (dia 15),

Santo Ângelo (dia 17),

Santa Rosa (dia 18) e

Uruguaiana (dia 20 - seu aniversário!).

-

David Coimbra:

Sobre Saltos de Scarpin, com a atriz Joana Vieira e direção de Tainah Dadda

Estreia 13 de agosto - com a presença do escritor


Teatro Renascença (Av. Érico Veríssimo, 370 -
PoA - RS)

De 13/08 a 05/09 - sextas, sábados às 21h e domingos às 20h

Ingressos a R$ 20,00 - Desconto de 50% para classe artística, Clube do Assinante ZH, estudantes e idosos

Acompanhe o processo de montagem da peça em www.saltoscarpin.blogspot.com

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Plágio?!


Se pode dizer, com firmeza, quando uma pessoa está imitando ou os dois tiveram a mesma ideia?
Pois é.
O artigo abaixo foi publicado em 1998 e, anos depois, vejo uma tese de mestrado defendendo exatamente essa opinião.
Não posso dizer plágio porque eu mesma - não uma, duas, três, mas inúmeras vezes, repito: inúmeras vezes, se tenho uma palavra ou assunto martelando a consciência por alguns dias, num certo momento abro as páginas dos jornais ou revistas e leio precisamente o que vinha elaborando.
Tenho uma teoria para essa situação.
E ela é bem simples.
Como somos muitos, é claro que pelo menos cem pessoas estarão tendo igual pensamento ao mesmo tempo. E aí, o espaço geográfico não importa.
Às vezes um aluno chama:
- Professora, o Luis tá me imitando. Só porque eu usei o laranja no meu desenho, ele quer pintar também!
Aí eu digo:
- Sinal de que ele gostou muito, então, fica feliz por você ter feito uma coisa boa.


“Você conhece a personalidade do dono só pelo adesivo que tem no carro.
Todos os automóveis deveriam ter um decalque para a gente saber com quem está lidando.
Tem vezes em que se está com pressa e vamos logo buzinando por uma pequena falha do outro. Nessas circunstâncias é que pensaríamos em agir ou não.
-
Pronto! Todos com seus adesivos, porém, sempre haveria aqueles abusadinhos que de ver uma carinha feliz, sairiam buzinando “Só pra contrariar (nome de grupo musical)”.
Já repararam os adesivos com sobrancelhas sisudas e olhos gateados representando uma pessoa má? Eu nunca compraria um desses, pois gosto do convívio social.
Fiquei imaginando: como seria a pessoa que adora uma expressão assim, que tipo de personalidade o leva a comprar este adesivo, e não tantos outros que existem?
Meus parcos conhecimentos em psicologia disseram que seria uma que se identificasse com tal expressão.
E aquele desenho do homem musculoso, tipo halterofilista, com cara de brabo? Certamente o Mike Tyson iria escolhê-lo.
Tem os com a letra indicando a paixão por um determinado país, tem o “Mi son...” que causa controvérsia entre os italianos e o resto do mundo e por aí a fora.
Eu colocaria um assim: Sou da paz!
Nem estou aí para os que me buzinam, pois, pelo fato de dirigir na velocidade certa, com cuidado e minha margem de erro ser pequena, tenho a tranqüilidade de saber que são eles os afobados.
Mas às vezes eu é que estou errada; e como gostaria de parar ao lado da pessoa e pedir-lhe desculpas.
Mas como? O trânsito não permite.
Deveríamos institucionalizar um gesto que quisesse dizer:
- Desculpe! (I’m sorry!, Entschuldigung!,...), porque gestos de agressão e xingamento existem aos montes.
Quem inventa um?
(Maria Valéria de Lima Schneider - Artigo publicado no Jornal do Comércio - Porto Alegre - RS, em 15/10/1998)”

Aproveito este por estarmos novamente debatendo o assunto trânsito e, pelas minhas andanças, percebo neste 2010 algumas mãos próximas à janela do carro com os quatro dedos fechados e o polegar em pé.
Acho que é isso.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Você Não Está Só


O artigo a seguir foi publicado no Jornalzinho da Criança - Porto Alegre - RS - em dezembro de 2005, e defende que na maioria das vezes o ofício de escritor pode ser penoso:

"Antônio Fernando Borges coloca que: “Escrever dá trabalho. Se alguém disser o contrário, desconfie.”.
Vou explicar.
No mundo dos escritores, onde se exige perfeita organização no infinito baralho de letras, o único momento glamouroso é quando se torna conhecido e reconhecido pelo que faz. Nesta tarefa e, principalmente para quem está iniciando, o resto é puro sacrifício.
O ato de escrever é uma tarefa autocentrada e, portanto, individualista; por isso, as relações familiares muitas vezes ficam prejudicadas, havendo desgaste. Como disse Moacir Scliar, a palavra escrita é um território que partilhamos em silêncio.
Outra questão é o momento propriamente dito de escrever.
A escolha das melhores ideias, do casamento de um substantivo e um adjetivo de maneira que chame a atenção do leitor, que esta escrita seja significativa, que ela seja compreensível, que seja correta,... e como a escritora Cíntia Moscovich bem diz: “depois, é reescrever e reescrever.”
E Martha Medeiros acrescenta que conhece nenhum escritor que trabalhe sem o dicionário ao lado.
Luis Fernando Veríssimo coloca, entre outras ideias, que escrever bem é compartilhar uma realidade inédita ou um sentimento importante com o leitor, de tal maneira que o que está escrito e como está escrito se completam.
Não disse que era árduo?
Outro fator é a inspiração.
Quem pensa ser a cabeça dum autor cheia de luminosas ideias de batepronto, sinto muito em desapontá-lo: uns escrevem quando têm tempo, outros em grande sofrimento, ou quando lhes veio um pensamento diferente, passam dias sem escrever por falta de vontade (é, acreditem!), alguns gostam de planejar e outros se utilizam de técnica.
Qualquer arte possui sua técnica, como diz o escritor Luis Antônio de Assis Brasil. Ele entende a técnica literária como a soma das condições necessárias à escrita. É o senso de medida na frase, sua musicalidade, a perfeita construção do diálogo, a eficiência descritiva e narrativa e, em especial, a ideia de proporção da peça inteira, de modo que suas partes dialoguem com a necessária harmonia compositiva.
É mole?
Segundo ele, técnica é saber que não se escreve para desabafar, mas para construir uma realidade estética autônoma.
Técnica é encontrar a forma certa de fazer com que o leitor se sinta angustiado de desejo para saber o que virá mais adiante.
Difícil, não?
Quanto mais experiente o escritor, mais se dará conta de que a inspiração, o mote, uma ideia interessante a ser escrita não vem só da leitura de muitos livros. Pode vir duma notícia de jornal, da conversa no elevador, de um pássaro na árvore, dum manual de instruções e até mesmo dos desenhos na pedra de granito.
E o autor necessita de todos esses elementos, para ter o que escrever!
Logo, o escritor precisa ser também um grande observador. Ver, o que a maioria não enxerga.
Não se suicidem: pode-se treinar a mente para que isso aconteça. Exercitando, um dia se chega lá!
Outro embate crucial com que o escritor se depara para dar vida a sua obra é a impressão. Porém, há a alternativa das edições independentes que lutam bravamente contra as imensas dificuldades de distribuição e penetração na mídia especializada, como escreve Marcelo Moutinho.
Difícil também para o escritor, é a divulgação de seu livro. Como diz Taylor Diniz: ninguém escreve para a gaveta.
Por fim, pesquisando a trajetória de vida dos escritores, você verá que até mesmo os mais renomados já tiveram seus momentos de dificuldade em relação à crítica.
Todos eles. O escritor Rubem Mauro Machado coloca que as competições em forma de concursos são válidas, mas suas sentenças para o bem ou para o mal, não devem ser tomadas demasiado sério.
Portanto, não supervalorize a crítica. Nem as negue.
Use-as, para seu crescimento!
Dureza, não?
Então, escritor, você não esta só!
E você leitor, valorize o livro que tenha em mãos. Pense em tudo o que foi narrado acima e, ao encontrar seu escritor favorito, vá até ele e diga como o aprecia pelo que escreve.
Ah! Um mail também serve.
(Maria Valéria de Lima Schneider)"

terça-feira, 13 de abril de 2010

A violência tem saída?


Abaixo, repasso a vocês o artigo "A violência tem saída?”, publicado no jornal Zero Hora em 01.03.2007 e que, onze dias após, foi reverenciado pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre - RS.

"Esta semana as crianças estão retornando às escolas: você já pensou sobre o que irá dizer ao seu filho (a), no momento em que o deixar na porta da mesma?

Uma família em cada cem, aproximadamente (estatística minha), se preocupa com isso.
Dias atrás, este jornal fez uma matéria no caderno Meu Filho, em que deixava claro aos pais, que a casa do outro não era parque de diversões: as crianças deveriam respeitar as regras daquele local, quando em visita.
Temos visto jovens cometendo atrocidades como a que fizeram com o menino João Hélio (que foi arrastado pelo lado de fora do carro, no Rio de Janeiro, por assaltantes adolescentes) e como fazem diariamente, em outras circunstâncias, em nossa sociedade.
Qual o nosso papel de adultos, e mais ainda, de pais ou responsáveis pela educação de uma criança?
Pedir mais policiamento nas ruas, colocar grades nas casas, comprar armas, lotar a caixa de mail’s dos políticos, pedindo para que diminuam a maioridade penal... será que basta para mais do que nos sentirmos seguros, estarmos seguros?
Apesar de concordar na questão da maioridade (lembro-me bem de quando tinha dezesseis anos: distinguia perfeitamente o certo do errado), vejo essas medidas como paliativas.
Penso que deveríamos ir à raiz do problema: a educação de filhos ou tutelados.
Você pulou da cadeira? Calma. Não se angustie. Você não está só.
Há mais pessoas perdidas nessa tarefa de educar filhos do que você imagina. Fazer o quê. Ninguém nasce sabendo... Mas pode aprender!
Uma idéia seria a de criar em todas as unidades de saúde do país, grupos freqüentes de debates e palestras gratuitos, sobre assuntos que envolvam a criação de seres humanos. Uma escola de pais.
O governo e ONG’s, em parceria, poderiam tomar à frente a viabilidade e administração deste projeto.

Você gosta de futebol? Seu filho gostará. Você ama novela? Sua filha amará. Você chega a sonhar que está surfando? Seus filhos também.
Viu como você tem influência sobre eles? Você tinha consciência que era tanto assim?
O que estou dizendo, é que as crianças precisam de objetivos na vida.
Não estou falando nessas tais de metas empresariais, não.
Estou falando de pessoas que os incentivem, que os estimulem para atividades/ações boas.
O que é atividade/ação boa?
É incentivar ao estudo, por exemplo. Vejo adultos perguntando às crianças pequenas se já têm namorada, mas não as vejo perguntando se estão estudando, fazendo os temas e se comportando na escola.
É incentivar ao trabalho. Já vi muita gente dizendo: “- Ah, não! Lavar carro não é trabalho para mim. Por menos de mil reais, nem levanto da cama!”.
É incentivar à generosidade. O que você pensa sobre essa frase dita de uma colega de dez anos para outra: “- Você é bolsista aqui na escola, então não pode entrar no nosso grupo!”
É incentivar a apreciar a leitura, o cinema, o teatro, à música... enfim, à cultura.
Esses exemplos são todos objetivos de vida.
E bons!

Se quisermos nosso mundo com menos violência física e interpessoal, devemos nos preocupar mais com nossos jovens, educando-os.
Ensinando o respeito, a humildade e a benevolência.
Voltando à pergunta inicial: o que seria bom dizer às crianças e aos jovens, não só no primeiro dia de aula, mas todos os dias do ano, todos os anos, quando as deixamos em frente à escola?
Tenho uma sugestão: “- Boa aula, estuda e respeita.”
(Maria Valéria de Lima Schneider)"