Se tiverem comentários, literalmente é só falar.







Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Breque de mão


"Dei carona para alguém, volta pequena em torno da quadra.

Enquanto dirigia, arriscava elaborar um texto. Fazia certo tempo que estava no dolce fa niente e era mais do que hora de escrever. As férias um dia acabam, e o que me vinha à cabeça era a seguinte dúvida: ”Um texto que falasse dos cantos das caturritas ou um sobre os cheiros do verão?”.

E então estava neste dilema enquanto esperava a sinaleira abrir para dobrar a direita, retornando ao meu ponto de origem.

Pisca ligado, e vejo da minha janela dianteira uma senhora saindo de um carro.

Sim; senhora: nunca agradou-me referências ao sexo feminino como “mulher”.

“A mulher morreu...”

“A mulher foi atropelada...”

“A mulher salvou o filho.”

“Senhora” é mais delicado.

Ela havia recém estacionado na última vaga da rua.

Aguardava minha vez de prosseguir quando percebo que seu carro andava.

A senhora fora dele e ele andava.

E para trás.

Era lomba pequena, mas o suficiente para não se conseguir segurar um carro de uma tonelada com as próprias mãos.

Ela não atinava a se jogar de qualquer maneira para o interior e puxar o freio de mão. Só o que fazia era, com suas próprias, tentar segurar o carro.

Pará-lo.

Eu, de dentro do meu, em plena avenida, nada poderia fazer. Como abandonar o automóvel e abrir a possibilidade de causar um acidente para evitar outro?

Então, fiquei no meu, aguardando o desfecho e, mesmo assim, o que consegui foi improvisar sinal com a mão para que ela brecasse: com a direita bem acima do freio (se fizesse rente, com certeza ela não enxergaria), eu a levantava e abaixava para iniciar a cena, levantava e abaixava novamente para reiniciar, tantas vezes quanto durou fechado o semáforo. Nem sei se em meio à confusão ela me avistou.

E eu ainda disse em voz alta:

- Puxa o freio de mão!!!!! Puxa o freio de mão!!!!!

Mas claro, ela não conseguia me ouvir.

O carro dela pegou embalo e só parou quando bateu no de trás. Aí ela despertou e fez o que deveria ter feito.

O sinal abriu, eu andei com o meu e vi os dois carros grudados. Nem ar passava ali.

Ela não atinou a puxar o freio.

O freio de mão estaria danificado?

Baseada no acontecido até levei o meu para revisão.

Puxar o freio é importante para que desastres não ocorram. Para que pessoas não se machuquem. Ainda bem que, ali, se deu algum prejuízo foi material.

Levei um tempo para me refazer do fato, mas valeu porque já me decidi sobre qual dos dois será o meu próximo tema.

(Maria Valéria de Lima Schneider)."

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Inverso do Auge


"Esses dias me senti uma estrela.

A própria cantora Madonna só que sem a voz e sem o Jesus Luz, of course.

Aí você pergunta: “Uuuééé, então por quê??”

Pois é. É que uma aluna mimoseou com a maior carta que já recebi, enrolada como um antigo papiro.

Além de desenhos de corações e flores e arabescos e linhazinhas e carimbos de cachorros e gatos, havia um texto que se notava terem sido as palavras pensadas e escritas a mim.

Eram cinco ou seis linhas. Raciocinadas.

As palavras que usou não eram chavão, dessas que se escreve automaticamente ao mandar uma mensagem de última hora.

Após a introdução, veio a frase “Professora, Eu Te Amo” anotada até a última linha, da última página: dez de caderno grande, coladas uma ao pé da outra, enroladas feito rocambole.

Umas trezentas vezes.

Depois que li, me senti uma pop star.

Por isso a Madonna.

Um presente assim, compriiiiiiiiiiiiiiiiidoo, foi o primeiro que ganhei.

Quando a aluna me entregou, percebi que outras ficaram chateadas por ela ter conseguido me presentear antes.

Dava a impressão de que competiam para ver qual terminaria primeiro e não esquecesse a carta em casa no dia seguinte.

Observando a cena lembrei de uma situação que vivi.

Eu gostava de escrever cartas.

Como sou pessoa que se sente bem em presentear para ver a felicidade estampada no rosto do outro, redigi uma carta para uma de minhas amigas de escola.

A idéia era homenagear a todas. Aos poucos. Com o tempo.

Sabe como é: quando se está livre para escrever, sem prazos, você fica aguardando “a” melhor inspiração, “a” melhor ideia para que fique pessoal e bonita.

Escrever que a Paula tinha uma excelente voz e que quando crescesse seria a melhor cantora do mundo; que a Andrea tocava piano de forma superior a todas nós; que a Fernanda seria uma veterinária brilhante por se preocupar tanto com os bichos e a Priscila e a Carina... enfim.

Só que em meio e esse percurso de elaboração de algo particular, e por que não, único, ocorreu um problema: quando a primeira das minhas amigas recebeu - não lembro bem se foi a Rosana ou a Gisela, ficou tão contente com o tributo que foi correndo mostrar para todas as outras.

E todas as outras viram.

E daquele momento em diante, sem exceção:

me ignoraram.

(Maria Valéria de Lima Schneider)"

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Aniversariante


“- Muitas coisas boas me aconteceram sem que eu tirasse proveito algum, e o Natal é uma delas – replicou o sobrinho. – Apesar de ser uma festa sagrada, não a vejo somente assim, mas também como uma época muito agradável: uma época de gentileza, perdão, caridade e alegria.” Esta frase foi escrita em 1843, no romance Uma História de Natal do escritor inglês Charles Dickens.

A cultura deste tempo - reparem, século dezenove, Inglaterra - ainda se parecia em muito com os anos setenta, do século vinte, no Brasil.

Lembro que antecedendo ao Natal as pessoas nas ruas ficavam mais amáveis, simpáticas e benevolentes. Realmente o período em torno desta data era diferente: a afabilidade estava no ar e nas pessoas. Sentia-se na pele.

E era bom.

Mas triste.

Triste porque só nesta fase do ano que as pessoas agiam desta maneira e, juro, pensava no alto de meus doze anos: “Por que não o ano todo?”.

Volto aos dias atuais e percebo que há mais ou menos um ano, mudanças ocorreram. Observo atendentes de lojas e bancos mais solícitos.

Acompanho vários motoristas nos seus carros, parando em meio ao trânsito caótico e, com a mão, fazer sinal para que o outro condutor, que vem da rua transversal, entre a sua frente.

Percebo vizinhos se cumprimentando com um sorriso gentil não só no elevador do prédio, pela manhã, ou na saída do condomínio, mas no armazém da esquina, no supermercado do bairro, na porta da escola e no restaurante.

Assisto diversas pessoas distribuindo sopas e sanduiches e cobertores e colchões e roupas nos entardeceres das cidades.

E como escreveu Dickens - a quem recomendo a leitura do célebre clássico por esta frase e outras tantas: “Muitas coisas boas me aconteceram sem que eu tirasse proveito algum”.

As pessoas estão fazendo sem proveito algum. Fazem porque se sentem bem.

Agora a magia do Natal parece se estender o ano todo.

E isso é bom. Muito bom.

Fiquem com Deus, boas festas e um excelente 2011 para todos!

(Maria Valéria de Lima Schneider)"

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Música na Alma (II)


E agora ele vem aí.

Nem acredito.

Como disse, o que me sacode é a batida da música, porque de letra pouco entendo.

Cresci embalada por todos eles.

Faz quarenta anos que estou no aguardo desse momento (eu disse quarenta!).

Tudo iniciou quando o meu irmão mais velho - que é sete anos mais - fez 14.

O pai alugou umas quatro mesas e algumas cadeiras - lembro que eram de madeira pesadas, cor de mel - e comprou cinco guaranás e a mãe fez pizza caseira de sardinha.

Eles também compraram duas lâmpadas, acho que roxas; tiraram as brancas presas no teto da garagem e puseram as coloridas.

Estava montada a Reunião Dançante.

Lembro que pouca gente compareceu, mas nossa família, muito dançante que é, fez a maior festa.

Sempre ouvimos qualquer estilo de música e, mesmo no volume quatro, começar a sacudir por dentro, depois aparentemente, após, por inteiro, explodindo feito liquidificador saído da fábrica, é para já.

Com os novos bolachões - ou Long Play, como queiram - desse grupo - que isso o meu irmão bateu pé que os discos fossem de propriedade dele, e não emprestados - dançamos desvairadamente até a hora de estar muito cansados e ir dormir.

Bem, assim fui apresentada aos Bee Gees. Sim, estou falando nos Bee Gees.

Bee Gees no Brasil!

Uhhúú!!

Uma das vozes que muito me fez sonhar. Robin Gibb vai estar a dez quilômetros distante de onde convivo com minhas nostalgias e realidade.

O grupo formado pelos irmãos Barry Gibb e os gêmeos Robin e Maurice Gibb, que fizeram dançar desde os anos sessenta as diferentes gerações com seus ritmos musicais, do rock psicodélico às baladas, passando pela música disco, R&B, romântica e terminando no pop rock moderno, venderam mais de 220 milhões de discos.

Só para vocês terem uma idéia, a trilha sonora Saturday Night Fever, do filme Os Embalos de Sábado à Noite, contida no álbum de mesmo nome, foi uma das mais vendidas de todos os tempos e o segundo álbum mais comercializado na história.

O grupo ficou conhecido por escrever e cantar sucessos como How Deep Is Your Love e Wind Of Change, as dançantes Stayin Alive, Tragedy e You Should Be Dancing, as suaves Too Much Heaven e To Love Smebody, a romântica Love You Inside e a doce Our Love, entre centenas que apresentaram ao público.

Eu já garanti o meu ingresso.

Se não perecer de expectativa e se Deus não me deixar morrer lá, de emoção, vocês ainda me verão por aqui.

(Maria Valéria de Lima Schneider).”

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Música na Alma (I)


"Estou com o Paul. É, ainda o Paul. Não, não o Polvo Paul que previu os resultados da Copa do Mundo, porque esse já morreu e eu ainda estou por aqui, respirando e tal.

Estou com o Macca, o MacCartney. O Paul MacCartney, você sabe.

Em entrevista que cedeu ao Fantástico no domingo anterior da chegada ao Brasil, disse que em seus shows só apresentava as músicas em sua forma original. Respondeu que as pessoas, na rua, lhe cobravam isso: que seus fãs preferem ouvir o som não remixado; escolhem o inalterado.

E eu acrescento: sou dessas pessoas.

Não. Nunca falei com o Paul porque a distância entre nós era medida em oceanos até aquela noite quente de primavera quando ele entrou no meu quarto pela janela.

Pera aí!, você não entendeu. Ele se apresentou para mais de cinqüenta mil pessoas e eu o ouvi da janela aberta do meu quarto, distante 7 km.

(Eu sabia que você havia pensado bobagens.)

Pelo menos cinco inícios de músicas, recostada na cama, entre recortes de jornais e tesoura, das trinta e quatro que cantou e tocou, eu ouvi os primeiros acordes das guitarras e/ou da bateria, misturadas às pessoas gritando alucinadamente.

Mas concordo. Quando ouço por uma ou duas vezes uma mesma canção, ela fica registrada, batida por batida, nota por nota, como uma tatuagem em mim.

Tenho a memória melódica muito boa.

Nos primeiros acordes já a reconheço, mas não tenho igual sorte quando se trata de decorar o nome ou sua letra.

Músicas em inglês, nem pensar. Meu ouvido é meio surdinho e atrapalha a compreensão das palavras.

A minha mãe tinha um bom hábito: sempre que ligava o rádio do carro e havia música tocando, ela dizia:

- Olha! É um bolero.

Ou:

- É um rock!

E assim, de forma leve, aprendemos quando crianças diversos gêneros musicais.

(Maria Valéria de Lima Schneider)"

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Depoimentos serenam?


"A leitura tem o poder de unir pessoas? Em que medida um livro influenciou nossas vidas? O quanto uma história pode acalentar?

Pois na Revista O Cuidador, você encontrará o artigo Sou uma Loba, de Gisele Schmidt Dias, contando sobre como um grupo de amigas que mora no Rio de Janeiro resolveu se unir para ler e discutir os livros.

O precursor foi Mulheres Que Correm Com Lobos, da escritora Clarissa Pinkola Estés.

Nas palavras do escritor e médico Moacyr Scliar, você poderá entender a profundidade e importância da revista, e de sua divulgação:

"Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade."

Entre no site, leia artigos disponíveis gratuitamente e, se quiser, assine a revista.

Mas o mais importante: divulgue!

Alguém que você nem sabe pode estar precisando."

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Meu Pequeno Trajeto Político


“Em função das eleições no próximo domingo, dia desses lembrei do que ocorreu quando me candidatei à vice-direção na escola. Foi no tempo em que vice no Brasil era nada. Mesmo assim, estava lá.

Essa ambição veio porque, algumas ideias, unidas ao fato de não ter responsabilidades maiores e ninguém depender de mim, deixavam tempo para dedicação aos alunos e suas famílias.

Após conversas laterais, bilaterais, transversais, reuniões, estudo de ideias a implantar, criação de botons, panfletos e folders, apoios e debate público entre as duas chapas, a minha perdeu e continuei a dar aulas. Como até hoje.

E aqui é o ponto da minha recordação: nos anos seguintes, a postura do meu diretor foi elogiosa.

Nesse tempo, precisei da interferência dele umas três ocasiões.

A primeira foi em relação ao mau comportamento de um aluno; a outra, foi para pedir um caderno que faltava e a terceira nem tenho mais registro na memória, de tão sem importância que deve ter sido.

O fato é que, quando eu chegava e punha o pé direito na esquadria da porta de entrada de sua sala, ele, sentado ou em pé, prestativamente se dirigia ao meu auxílio. Estivesse o que estivesse fazendo em seus trabalhos burocráticos, parava imediatamente e me atendia de forma educada e respeitosa.

Confesso que ficava constrangida com tamanha atenção: afinal, não sei se os muitos professores, alunos, pais e funcionários que o haviam apoiado em campanha eram tão depressa atendidos.

Porém, devo acrescentar que sou professora daquelas que pede rara ajuda, pouco socorro, pois tento conversar, argumentar, puxando o lado ético e justo da situação, e ela acaba, na maioria das vezes, se acomodando.

Talvez ele levasse isso em conta.

Mas prefiro crer que de tão sério no que fazia, se houvesse alguma divergência de ideias entre nós por motivo das eleições, isso era passado.

Agora, o objetivo era por uma só causa: o bem da escola.

(Maria Valéria de Lima Schneider)”

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Justificando a Desaparição


“De repente me veio um enorme cansaço.

Foi de uma hora para outra.

Lembro que estava caminhando, chegando ao trabalho; e senti como se toda a minha força, de um instante para o outro estivesse sendo sugada da cabeça aos pés. Que a gravidade estivesse agindo violentamente sobre mim, roubando por completo a minha energia.

A partir daquele momento, o que precisava realizar, tinha de ser devagar.

De arrasto.

Só lembro de ter estado assim quando ficava grávida: vontade de dormir fora de hora, pronta pra dar uma recostadinha até mesmo na cama de alguma visita que estivesse fazendo, e apagar.

Até no Pilates, se a professora me deixar mais de um minuto sem o próximo exercício, eu durmo na cama.

Um cansaço muito maior que a disposição.

Então, nesse último mês, mês e meio, tenho me arrastado. E percebendo os braços diferentes; parece câimbra, mas mais fraquinha.

Uma colega da escola contou que o marido estava sentindo muito cansaço, até que foi hospitalizado com uma inflamação nos músculos cardíacos. E eu que achava que o coração só agia de duas formas: parado ou andando.

Vinha preocupada, desconfiada de algo físico: porque aquele cansaço era físico.

Então, tomei coragem e fui ao hospital.

Na entrada, havia um recado que dizia mais ou menos “Não garantimos recepção em seguida.” em uma folha de ofício escrita a mão.

Abri a porta assim mesmo, pois aquela decisão já vinha sendo pensada há bastante tempo.

A primeira reação foi a de constrangimento porque, afinal, eu era a mais jovem (sic) da sala. Mas aí veio a lembrança do marido da colega ter a minha idade, e me reconfortei.

Fui em frente.

Ainda que com plano de saúde, a sala de espera do hospital estava tão lotada quanto à do atendimento pelo SUS, que ficava ao lado. A única vantagem naquela tarde abafada foi a de que a minha tinha ar condicionado.

Me contaram que, antes de eu chegar, uma paciente desmaiou três vezes até que sua parenta, aos berros, ordenou que alguém a atendesse. Ficou baixada; um senhor, depois de aguardar por duas horas e meia e se sentindo muito mal, pediu para que o atendessem. Foi passado ao consultório antes dos outros. Saiu caminhando bem. Disse que ia ao carro buscar o dinheiro para pagar a consulta e não mais voltou; um filho, cinqüentão, ficou vermelho de emoção ao ver o pai sair da sala do médico e ir para casa; um assessor político, mesmo tendo quatro compromissos naquela sexta, resolveu dar uma passadinha por lá antes, por estar se sentindo ultimamente muito enjoado após comer; e um homem maduro ligou para a namorada avisando onde estava e convidando-a para dormirem aquela noite na praia. Que precisava resolver alguns contratempos, e que tinham dado para ele um remédio para baixar a pressão. E assim que o clínico o liberasse, passaria para pegá-la. Eu não o vi retornar de lá de dentro; os atendentes se confundiram trocando a ordem de chegada dos pacientes e, pelo menos um foi atendido, erroneamente, na minha frente. E nem demonstraram apreensão com o ocorrido.

Depois de quatro horas, sim, eu escrevi quatro horas, pacientemente esperando (agora já sei por que os médicos nos dão esse nome), o doutor analisou o meu eletrocardiograma e disse que estava bom.

Essa notícia me deixou bem animada. Saí feliz da sala.

Antes disso, ele me orientou que precisava passar na recepção para dar baixa nos documentos.

Tudo certo! Estando bem, é isso que importa.

E então olhei o balcão. E o atendente. E as pessoas a serem atendidas.

E havia uma cadeira vazia.

E me dei conta que a boa notícia não fez desaparecer a minha fadiga.

Prostrada, sentei.

(Maria Valéria de Lima Schneider)”

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Os Que São Anjos


"Na minha simplista concepção, anjos são aqueles que tornam o mundo - mesmo que bem pouquinho - melhor.

E então leio no site de notícias: a girafa que havia no Zoológico faleceu. Era a última. Agora o zoológico está sem girafas!

Eu me lembro de a ter visto faz uns três anos.

Ela era muito faceira. A mais alegre das que passaram pelos meus olhos.

Comia as folhas na mão da gente com a delicadeza de gueixas. Daí a pouco cansava de tantas pessoas a paparicar-lhe e saia em disparada.

As pernas desengonçadas se entrecruzavam para correr dum jeito que não conseguia entender como havia equilíbrio naquele corpanzil todo, sobre pernas longuíssimas e finas.

Depois de ler a nota, me veio à lembrança o girafo, seu namorado.

Ou seria marido?

Girafa tem namorado ou marido?

Precisa um atestado que documente, ou morar junto basta para distinguir um e outro?

Mas voltemos ao girafo. A girafa saia correndo atrás do girafo. Na verdade eu não sei quem corria atrás de quem. Elas adoravam brincar de pegar.

E lembrei que ele também havia morrido.

E faz só um mês.

E as notícias desta época relatavam que ela, a girafa, havia ficado muito triste. Visivelmente triste.

E agora ela também faleceu, vítima de um problema cardio-respiratório.

Triste.

Saio, dou algumas voltas pela internet e retorno às notícias.

E lá estava:

o bebê que há mais de mês procurava entre os vários hospitais do estado um que abrigasse as suas necessidades, depois do acolhimento, faleceu.

Dois anjos doces e de espécies diferentes, que tinham por único propósito tornar mais bela a face terrestre com seus sorrisos e graça se foram.

O dia ficou triste.

Escandalosamente triste.

(Maria Valéria de Lima Schneider)"

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Vida


"Dia desses aconteceu comigo. Será que essa experiência já ocorreu com você?

Fazia tempo que não ia com calma para o centro, então, passeava sem um definido objetivo.

Percorria as ruas, serenamente, olhando as vitrines e suas roupas e sapatos e botas, e os pipoqueiros, e o vendedor de pão de queijo, e os artesãos e as gentes passando ligeiras.

E procurava volumes, claro. Entrava nas livrarias em busca de encomendas: um livro em falta é problema para toda a cadeia literária.

Ia devagar, aproveitando o momento de paz quando olho para frente e reencontro uma amiga de muitos anos:

e logo trocamos um abraço apertado de leal saudade.

Engraçado porque, da última vez que nos vimos, foi desconcertante para ambas: desentendemos-nos pelos motivos que eu tinha certeza estar com a razão. Mas, como o tempo tudo cura, não havia mais ressentimentos.

Sem compromissos imediatos, fomos a uma confeitaria.

Refrigerantes, guardanapos, canudos e uma imensa fatia de torta de rocambole de chocolate à frente, desatamos a conversar.

Das vidas atuais, passamos às amenidades e entramos no terreno da desativação do nó.

Aquele nó.

O que foi muito bom para mim: tranquila, ela expôs seus sentimentos retos e de forma ponderada, conversando com extraordinária lisura.

E foi firme: disse que, mesmo gostando de mim, nós sendo ótimas amigas, combinando pensamentos e preferências, escolheu ruir nossa amizade para sempre, do que ir em frente por um equívoco de cálculo meu.

E pude compreender que seu afastamento foi um ato de muita coragem.

E percebi que ela foi o melhor de nós duas.

(Maria Valéria de Lima Schneider)”

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Vontade de ser escritor (III)


“Ler, aprender e pesquisar é fundamental.

E, claro: escrever. Portanto, foram essas as razões que me impulsionaram a atualmente cursar a Oficina de Literatura Infantojuvenil do escritor, ilustrador e contador de histórias Celso Sisto, na PUCRS.

Como escritora e docente, às vezes tenho a sensação de passar o tempo todo, literalmente, distribuindo conhecimento.

Pareço dissipar feito um balão espremido na ponta da saída do gás, deixando um jato de ar bem miúdo esvair-se; aos poucos; devagar. Até restar nada.

Por isso, é um presente estar outra vez em sala de aula tomando notas e ouvir ideias não anteriormente pensadas; aprender detalhes deste ou daquele texto, desta ou daquela forma de escrever; debater com o professor e os pares as sutilezas, armadilhas ou inovações da Literatura; receber dicas de, e ler livros qualificados; saber de meus potenciais; relembrar ou descobrir pontos fracos e trabalhá-los; produzir textos novos a partir de desafios e refazê-los em casa diversas vezes, lê-los em aula, ouvir as críticas, arrumar, nova correção... Vocês verão alguns deles por aqui.

Como é bom estudar!

(Maria Valéria de Lima Schneider)".

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Vontade de ser escritor (II)


"A minha expectativa em relação ao lançamento do livro gerado por minha escola é a de vê-lo.

Um livro representa o ápice da extensa caminhada de quem o escreve: encontrar “a” ideia, “a” forma de escrevê-la; depois vem a etapa de editar e distribuir e, após, as vendas e o retorno em forma de elogios&críticas e renda.

Há autores que o são por vários motivos: necessidade de escrever, ou de ser lido, ou de ver suas idéias e histórias impressas numa obra - ou seu nome, ou lidas num sarau, ou debatidas em encontros literários, ou transformadas em filme, teatro ou novela.

Você tem se dedicado?

Quanto?

Alguns escritores em oficinas e entrevistas aconselham pelo menos uma hora diária: mas para quem não vive das letras, esta frase, é só uma frase.

Será mesmo?

Por outro lado, se você não se movimentar, não se desacomodar descobrindo vontades e espaços, ficará mais difícil a realização do sonho de ser escritor.

Porque penso ser esta a questão: sonhar. Porque não faz mal.

(Maria Valéria de Lima Schneider)".

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Vontade de ser escritor (I)


"No último dia de aula recebi uma boa notícia: dia 25 próximo será lançado o primeiro livro de poesias feitas pelos alunos - um projeto idealizado pela biblioteca.

Muitos deles foram ou ainda são meus e bem que tentei transmitir algumas sugestões/estímulos para que concorressem.

Havia recentemente trabalhado um texto retirado de um livro do EJA (Educação para Jovens e Adultos), de 2001, sobre a trajetória pessoal de uma aluna de vinte anos; de seus esforços e desistências escolares.

O que mais os espantou, não foi a história em si - presente em muitos dos seus lares, e sim, de ter sido escrito por uma jovem e estar publicado em livro.

Aproveitei então, a deixa, e lembrei-lhes que não precisavam ser adultos para aparecerem chances: ela estava ali, naquele instante, bem à frente deles - que contavam com onze, doze anos.

Que na vida, sem empenho, persistência, estudo e dedicação, as pessoas estagnam.

Que os recursos lhes foi oferecido, mas chega um ponto na história de todo o ser humano que ir adiante só vai dar certo se ele próprio se mobilizar.

Assim, imaginei que, com todos esses argumentos, iria sacudi-los.

Mas não experimentei grande ânimo em todas as turmas; e fiz o levantamento: um em trinta se sentiu desafiado.

A juventude, a falta de gosto pela escrita, o não ter ideias, nenhum incentivo familiar e tantos outros motivos, podem ter sido a causa.

Ir adiante, alcançar finalidades: esses valores estão no querer de cada um. No querer muito de cada um.

E você, que me lê e têm intenções de ser escritor: de que tamanho está o seu querer literário?

-

Li ontem a lista dos vencedores: a maioria já foi meu!

(Maria Valéria de Lima Schneider)"

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Escritores de Cinema (II)


" “- Ah!, eu tenho vergonha...”

Sempre que ouço essa frase de um dos alunos, tenho outra de bate-pronto:

- Você deve ter vergonha se algum dia roubar, matar, magoar, mentir,... e não de fazer uma ação boa.

Às vezes nós temos embaraço de atitudes como pedir licença para passar entre duas pessoas conversando; ou deixá-la ingressar primeiro, estando um homem e uma mulher na entrada d'uma porta ou a espera do elevador; ou de agradecer depois que o colega alcançou um cigarro ou a caneta; ou de ir ao cinema infantil porque já se passou do tempo.

Gestos simples e pequenos não feitos ou culturas bobas e desimportantes deveriam ser melhor analisadas, revistas, por um e por todos, para, aí sim, serem valor.

(Maria Valéria de Lima Schneider)"

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Alba


"Pego a calcinha, a camiseta de baixo, a ceroula, a calça, as meias e o blusão de lã, um por um de dentro do saco doado pelo hospital e os coloco num balde com muito sabão. O cheiro de ácido úrico impregnado em cada centímetro de tecido somado há dias abafado é forte.

Deixo de molho cerca de quarenta horas.

Espremo bem a água suja de cada peça e coloco na máquina, para lavar novamente.

Uma pessoa que sofre AVC se urina.

Ninguém divulga. Ninguém ensina.

Só tive coragem desses atos quando ela começou a apresentar sinais de melhora: o braço e a face esquerda; a ida ao banheiro; se expressar ao telefone; conseguir ler o jornal; a memória.

Tinha certeza que o lixo era o destino.

Decorrido vinte dias, passo as peças a ferro, uma a uma, dobrando com cuidado.

O cheiro de amaciante impondo-se ao ambiente.

Esse será o presente que darei a minha mãe, hoje à noite, quando a vir entrar no restaurante andando sem a ajuda de apoio, alimentando-se com as próprias mãos e conversando com lucidez, na comemoração de seus 86 anos.

E sem fraldas.

(Maria Valéria de Lima Schneider)"

terça-feira, 27 de julho de 2010

Escritores de Cinema (I)


"Toda Cinderela precisa seu dia de baile, então, semana passada fui assistir a dois longas-metragens infantis: O Pequeno Nicolau e Shrek Para Sempre.

Um adulto ver filme de criancinha? Plá!

Darei algumas dicas de como fazer.

Você finge ser um espião: compre um saco de pipoca (pequeno não serve, mas leve muito dinheiro) e um refrigerante, espere chegar um grupo de pelo menos três filhos, sobrinhos e adjacentes e fique na espreita, meio de perto meio de longe e, quando você vir que eles estão se dirigindo à fila do porteiro, coloque-se atrás, assim, fingindo ser mais um a cuidá-los.

Passada essa etapa, vá os acompanhando, parecendo ser do grupo e, quando você entrar naquela escuridão, relaxe e pegue um bom lugar - de preferência, sozinho.

Brincadeirinha; vou lançar aqui um abaixo-assinado para que todos os adultos possam ir ver todos os filmes infantis, sem constrangimentos.

Pergunto: Qual adulto um dia não foi criança?

E mais: Que criança não fica hipnotizada diante de desenhos animados?

Portanto, aí está o primeiro motivo de quem já cresceu ir: resgatar as sensações boas de quando se era pequeno.

Experimente! Raro saí de filmes de desenhos infantis com baixa impressão.

Segundo motivo: de alguns muitos anos para cá, os escritores&roteiristas e diretores de películas mirins têm feito uma combinação tão qualificada, escrevendo frases de efeito e com efeito, situações cotidianas vistas de ângulos distintos, abordagem de temas atuais como adoção, uniões diferentes, aceitação do desigual, a partida de quem se ama, e tantos outros, que o resultado emociona, e sacode, qualquer período.

Quem assina primeiro?

(Maria Valéria de Lima Schneider)"

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Dia Do(a) Amigo(a)


“Sexta fui assistir ao Capital Inicial. Não poderia ter melhor início de férias: a Glória na quinta e o show deles.

Está bem, confesso: o mundo não é perfeito: a empregada se foi e as roupas e todo o resto clamaram por água, num dia de sol como aquele. Perdão aos meus amigos pela demora na homenagem.

Lá pelas duas horas da manhã, depois de vários retornos, o Dinho Ouro Preto, vocalista do grupo, parou no canto direito e frontal do palco, esticou o corpo colocando as duas mãos, primeiro na cabeça, depois estendendo-as bem com os braços e os olhos para cima, permanecendo nessa posição, ouvindo os aplausos, por mais de uma centena de segundos.

O último mês de novembro - após cair do palco, de costas, ao final de um show - passou no hospital.

Teve que reaprender a falar, escrever e andar.

Essa era sua segunda apresentação pós-acidente.

Para gravar as músicas do novo cd, “Das Kapital”, precisou treinar diariamente uma única canção com a fonoaudióloga, enquanto que, antes, cinco saiam sem maiores esforços.

No instante em que olhei o Dinho, e os aplausos, e as pessoas, e as luzes, e a melodia, me lembrei no dia do acidente, das energias boas que lhe enviei: assim, como mais uma porção de gente.

(Maria Valéria de Lima Schneider)”

terça-feira, 6 de julho de 2010

Palavras que marcam


“A maturidade faz coisas maravilhosas”: essa foi a frase que pensei usar no final de uma crônica escrita há pouco. Mas não o fiz e explico por quê.

Eu e minha turma - uns trinta e cinco alunos - deveríamos falar demasiado a palavra coisa:

“Eu vi uma coisa.”

“Eu fiz uma coisa.”

“Pega a coisa pra mim.”

“Me traz aquela coisa.”

porque um dia a professora de Português entrou na sala, postou-se diante da classe, largou os livros com certa decisão sobre a mesa, nos olhou muito seriamente - não era característica sua - e disse:

- A partir de hoje ninguém mais vai dizer a palavra coisa na aula. Todos vocês estão proibidos de dizer essa palavra. Nunca mais!!

Eu, segunda mais nova da sala e o que a professora falasse era lei, fiquei muda.

Pensava em abrir a boca para pedir algo (sei lá, uma borracha ou lápis) e nada saia porque em meu pensamento mau habituado vinha:

- “Me passa aquela coisa.”, “Me dá essa coisa.”, “Me empresta a coisa.”, e percebi que realmente usava de forma exagerada a expressão.

Até hoje lembro desse momento em sala de aula quando me deparo com a palavra coisa.

Ela não esclareceu (e no alto dos meus dez anos eu precisava disso) que cada objeto no mundo tem um nome e que, se nós quiséssemos falar sobre ele, ou pedi-lo, deveríamos trocar a palavra coisa pelo nome do item.

Ou seja: ela não foi didática.

Ela não explicou. Ela determinou.

Levei um bom tempo sem falar, sem pedir, mas resultou em mim pequena sequela e eterno aprendizado.

Quando escrevi aquele final lá de cima “A maturidade faz coisas maravilhosas”, a quinta série pulou no meu cérebro, lembrei-me da professora e:

procurei algo melhor.

“A maturidade provoca fatos maravilhosos.”

A professora tinha razão.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Os pais e os segredos


“Tirem os filhos da frente do blog, porque contarei um segredo.

Tenho uma colega de trabalho muito inteligente.

Essa credencial por si só bastaria para descrevê-la; mas não posso, porque é ainda extremamente bonita, sabe ouvir com atenção, fala pausadamente o que pretende - escolhendo bem o quê e como irá dizer (fazendo rodeios, mas chegando lá), e coloca ideias apropriadas e que contribuam para o crescimento do grupo.

Enfim, com todas essas propriedades, bem poderia ser uma Diplomata.

Ou miss.

Porém, ela é sábia.

Dia desses a ouvi conversando:

- Porque a gente precisa se fazer de burra, né? - ela está com a minha idade e tem dois filhos homens, beirando os trinta.

Para conseguir manter um bom relacionamento com eles, continuava sua linha de raciocínio:

- Porque se você chegar dizendo o que vai acontecer depois do que eles acabaram de contar - porque você já está careca de saber aonde aquilo vai dar - eles se fecham. E se eles se fecham, aí você não consegue mais nada.

E ela seguia:

- Então, eu me faço de burra e digo: “É, meu filho?”, e eles prosseguem.

E, após terem adicionado algo:

- Mas que coisa!

Quando os filhos paravam de falar, mantinha o papel de ingênua:

- Jura que isso aconteceu?

E aí eles descreviam um pouco mais o ocorrido.

A maturidade provoca fatos extraordinários.

(Maria Valéria de Lima Schneider)”

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Preciso de Doritos!


Ainda sobre o trânsito - mas de outro ângulo, e como exemplo de um texto que inicia por um caminho, dá uma enorme volta, parece perdido, mas retorna ao ponto inicial, divido com vocês a crônica publicada ano passado no blog ZH Zona Sul, do jornal Zero Hora, sugerindo uma reflexão para o período de Páscoa.


“A culpa já o pegou em algum cotovelo da vida?

Pois eu passava em frente a uma das tantas escolas que temos pela Zona Sul e não é que tive sorte?

Por entre os carros estacionados, sai um menino com skate ficando vinte palmos diante do meu.

Ele, de no máximo 12 anos, ria, girava o corpo para um lado, para outro, as mãos no ar a fazer equilíbrio e gestos de satisfação; os joelhos curvados feito cobra para esquerda, e para a direita e para a esquerda novamente, sem conseqüência alguma e próprio da idade, posando para as quatro fotos que meu passageiro obteve.

O microsskatista desceu pleno de felicidade uma lomba de aproximadamente duzentos metros.

-

Ficou preocupado se conhece a criança?

Seu filho talvez?

Um sobrinho ou neto? Vizinho, quem sabe?

Não divulgarei as fotos até porque, prestem atenção: noutro dia, em frente a outra escola, aconteceu a mesma coisa.

E também com um pré-adolescente!

Eu não acreditei no que via e pensei: duas vezes a cena defronte aos meus olhos, com certeza é Deus mandando escrever sobre o assunto.

Se ocorresse uma, quem sabe eu nem ficaria alerta, mas duas:

Ele está me fazendo de instrumento.

Sim, porque tenho a convicção de que todo o ser humano serve como meio Dele para fazer um ou outro sentir um pouco mais de felicidade, cuidado ou amor.

Ou tudo junto.

Mesmo que à distância, como estou fazendo agora, com este alerta aos cuidadores desses pequenos.

-

Penso com meus laptops de quem seria a responsabilidade dos atos das crianças:

“- Já escovou os dentes? Fez os temas hoje? Te comportastes? Respeitou as pessoas?”

Levante a mão quem ouviu essas perguntas pelo menos quinhentas vezes ou as fez para alguém.

Eu sei, elas cansam a pessoa que escuta e muito mais a quem pergunta a todo o momento.

Mas eu falava em culpa no início deste post.

Uma forma de evitá-la é não desistir de ser responsável.

Boa Páscoa.

(Maria Valéria de Lima Schneider - Crônica publicada em 11/04/2009)"